Em delação na Polícia Federal, empresário cita esquema de “propina legalizada” na gestão Antônio Carlos em Caraguatatuba

O empresário Adriano Pereira compareceu voluntariamente a sede da Polícia Federal e apresentou fatos relacionados a um esquema de corrupção instalado na prefeitura de Caraguatatuba na gestão do ex-prefeito Antônio Carlos da Silva

As redes sociais dos moradores do Litoral Norte estavam agitadas na tarde de ontem, domingo 22/11, em função do vazamento de um trecho da delação do empresário Adriano Pereira, proprietário da construtora Volpp, que apresenta, segundo ele, um esquema de “propina oficial” no governo do tucano Antônio Carlos da Silva.

O empresário Adriano César Pereira foi preso em maio de 2019 durante a Operação Prelúdio II, deflagrada pela Polícia Federal para apurar crimes relacionados à contratos celebrados pela Prefeitura de Ilhabela. Solto este ano após realizar acordo de delação premiada, e sem seu novo depoimento, realizado em 8 de outubro desde ano, ele revela os bastidores da obra de construção da UPA Sul.

A empresa VOLPP CONSTRUTORA E TRANSPORTES LTDA, foi a empresa contratada para realizar a obra de construção da Unidade de Pronto Atendimento da região sul de Caraguatatuba que custaria inicialmente R$ 3.568.259,32 . Vale ressaltar que, em julho deste ano, este contrato foi julgado irregular pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.

Contudo, na delação, Adriano Pereira revela como operou o contrato e o esquema de propina. Em seu depoimento revelou que “todas as planilhas daquela obra apresentava uma taxa de administração, que era uma propina legalizada, dentro do valor do contrato”.

Trecho da delação de Ariano Pereira a Policia Federal

No trecho seguinte ele completa “os pagamentos aconteciam de acordo com as medições, com subsequente liberação do respectivo pagamento e devolução do percentual de propina, normalmente do importe de 10% de cada parcela” e ainda que “por conta desses pagamentos das propinas (10% de cada parcela recebida pela empresa) surgiu a possibilidade de compra da empresa CENTER TREVO”.

E empresa CENTER TREVO, uma conhecida rede de lojas de material de construção no Litoral Norte, foi adquirida por Adriano Pereira, e após isso foi objeto de uma briga judicial ocorreu para que a família de Antônio Carlos recebesse os pagamentos, contudo, nas informações da delação, Adriano afirma que a empresa não possuía o estoque declarado e que a família de Antônio Carlos não repassou as informações corretas sobre a saúde financeira da empresa.

Trecho da delação de Ariano Pereira a Policia Federal

Ainda tratando da relação espúria com o ex-prefeito Antônio Carlos e da compra da empresa CENTER TREVO, Adriano relata que foram oferecidos a ele contratos na prefeitura de São Sebastião, caso o seu genro, Felipe Augusto saísse vitorioso nas eleições de 2016, “pouco tempo depois o declarante (Adriano) foi informado que ANTONIO CARLOS DA SILVA teria dito para o declarante fechar a empresa, pois seria recompensado com contratos com a Prefeitura de São Sebastião/SP, uma vez que o genro de ANTONIO CARLOS DA SILVA seria eleito prefeito daquele município, bem como que o próprio ANTONIO CAROLOS DA SILVA administraria a Prefeitura de Caraguatatuba/SP de fato”.

Além disso, em setembro de 2019, o juiz titular da 2ª Vara da Comarca de Caraguatatuba, João Mario Estevam da Silva, determinou a abertura de inquérito civil para investigar a suposta irregularidade no pagamento efetuado pela Prefeitura de Caraguatatuba à empresa VOLPP CONSTRUTORA E TRANSPORTES LTDA no ano de 2016, mesmo objeto apontado na delação.

O magistrado, no inquérito, apontou que um cheque de R$ 421.476,49, pagamento realizado à empresa de Adriano, teria sido feito de forma ilegítima para beneficiar filhos do ex-prefeito Antônio Carlos da Silva.

A obra da Unidade de Pronto Atendimento da Região Sul de Caraguatatuba não foi concluída na gestão de Antônio Carlos da Silva, e após perícias e medições, foi retomada e concluída na gestão do atual prefeito Aguilar Junior e inaugurada em 2019.

Até o momento o ex-prefeito não se manifestou sobre o conteúdo da delação do empresário.