Pedro Parente não aguenta a pressão e pede demissão da presidência da Petrobras

Pedro Parente, presidente da Petrobras, apresentou sua carta de demissão no final da manhã desta sexta-feira, 1° de junho, na esteira da crise provocada pela longa greve dos petroleiros que colocou no centro do debate a política de preços de combustíveis da estatal. A mudança foi confirmada pela empresa em comunicado enviado ao mercado no qual informou que a escolha de um novo CEO interino “será examinada pelo Conselho de Administração da Petrobras ao longo do dia de hoje”. A reação nas Bolsas foi imediata. A negociação das ações da empresa chegou a ser paralisada para impedir uma queda vertiginosa, mas, retomadas as transações, tanto no Brasil como no exterior, a companhia, que já havia perdido cerca de um terço de seu valor de mercado com a paralisação, já amargava grandes perdas.

O impacto maior é na ação da companhia, que chegou a entrar em leilão na Bolsa brasileira e teve as negociações suspensas após ordens dos operadores para limitar perdas. O papel voltou a ser negociado com queda de mais de 20% nas ações ordinária (com direito a voto) e preferenciais (com prioridades na distribuição de dividendo).

A pressão das ações da estatal fez o índice Ibovespa virar e passar a operar em baixa. O papel da companhia no exterior (ADR) também chegou a perder 20% em Nova York. Ainda, dólar e juros precificaram a piora de percepção de risco local.

Na carta de demissão, Parente se defende das críticas durante o “intenso e por vezes emocional debate sobre as origens dessa crise” que “colocaram a política de preços da Petrobras sob intenso questionamento”. “Poucos conseguem enxergar que ela reflete choques que alcançaram a economia global, com seus efeitos no país. Movimentos na cotação do petróleo e do câmbio elevaram os preços dos derivados, magnificaram as distorções de tributação no setor”, escreveu também Parente, um quadro considerado de excelência no mercado e historicamente ligado ao PSDB.

Enquanto a Petrobras derretia na Bolsa nesta sexta-feira, uma empresa também sob influência de Parente subia: a BRF. O executivo foi escolhido há poucas semanas pelos principais acionistas da BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, para a presidência do conselho de administração da companhia. Agora, a especulação é que ele poderia ser o CEO da gigante de carnes.